sábado, 13 de junho de 2009

O amor é Matemático!

Sentada na escuridão,
apenas assisto:
minha roupa suja,
desfila na avenida,
no vendaval de abril.
Os fatos se sucedem,
é a roda da vida:
lembro do amor,
que nasceu do olhar,
do desejo de tocar,
do sentir a poesia,
da troca de versos,
incandescentes,
ardentes,
nem tanto simétricos...
Mas como sempre,
tentavas convencer-me,
que o amor, não sofria
a influência reta e
métrica da minha Matemática!
Muitas vezes,
vencemos as milhas que nos separam e,
juntos bebemos na mesma taça...
Sei que,
não foi o encontro da matéria,
mas real pelo sabor do beijo,
do toque,...
Prova-me isto,
que a Metafísica em muito,
supera a Matemática,
mas o amor é Matemático!
Pena meu amado,
que sabias tanto matemática,
quanto eu e,
os poemas ardentes,
perderam-se na profunda e abissal,
escuridão do teu olhar...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O ameaçado.

É o amor. Terei de me esconder ou fugir.
Crescem as paredes de seu cárcere,
como em um sonho atroz.

A bela máscara mudou,
mas como sempre é a única.
De que me servirão meus talismãs:
o exercício das letras, a vaga erudição,
o aprendizado das palavras que usou
o vago norte para cantar seus mares e suas espadas,
a serena amizade, as galerias da biblioteca,
as coisas comuns, os hábitos,
o jovem amor de minha mãe,
a sombra militar de meus mortos,
a noite intemporal, o gosto do sonho?

Estar ou não é a medida do meu tempo.
O cântaro já se quebra sobre a fonte,
já se levanta o homem à voz da ave,
já escureceram os que olham pelas janelas,
mas a sombra não trouxe a paz.

É, eu sei, é o amor:
a ansiedade e o alívio de ouvir tua voz,
espera e a memória, o horror de viver o sucessivo.
É o amor com suas mitologias,
com suas pequenas magias inúteis.
Há uma esquina pela qual não me atrevo a passar.
Agora os exércitos me cercam, as hordas.
(este quarto é irreal; ela não o viu.)

O nome de uma mulher me delata.
Dói-me uma mulher por todo o corpo.


Poema de Jorge Luis Borges (Adequado ao " Dia dos Namorados")