domingo, 14 de setembro de 2008

Proposta!

"Eu te proponho" 
não nos amarmos, 
que tu me esqueças, 
que não me queiras... 

 Faze de conta que eu não existo, 
que não te amo, que eu não te quero... 

 "Eu te proponho" 
que não me olhes - olhos nos olhos - 
que não afagues a minha mão, 
que não me fales à meia voz... 

 "Eu te proponho" 
que não me busques nos teus caminhos, 
que não me envolvas com teus carinhos, 
risca meu nome da tua lembrança... 

 "Eu te proponho" 
finalizando, 
que tu destruas os sonhos meus. 
E que, num adeus, 
sintetizemos a decisão. 

 Depois, amado, 
"Eu te proponho" 
não te aproximes, 
prá que não vejas 
fugir a vida dos olhos meus... a

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Digo, sim, meu amado poeta!

Ofertar-te-ei meus lábios,
para que colhas o mel,
que acalmará a ardência dos teus!
Aplacarei as chamas
desta caldeira ardente,
com a suavidade de minhas mãos e;
abraçar-te-ei até,
que o terremoto abrande e,
permitirei que colhas as gotas
de orvalho que brotam
na relva de meu ventre!

Beijarei teus olhos fechados,
até que o medo passe e vejas,
que estou contigo
(não sou uma miragem) e,
pronta a saciar tua sede,
no oásis que se forma,
na areia de minhas coxas.

Estou aqui, meu amado poeta,
são minhas mãos que te acarinham e,
meus lábios e minha língua quente,
que sugam a vida no céu da tua boca!

Sim, meu amado poeta,
meus olhos são estrelas,
que te iluminam e te orientam,
para que navegues com destreza,
neste mar revolto,
onde as ondas nos jogam,
um de encontro ao outro,
permitindo que nossas curvas,
se achem e se encaixem,
no encontro perfeito...
Sim, meu amado poeta,
minha língua pode ser
o céu ou o inferno,
que te espera decidido,
mas qualquer que seja tua escolha,
levar-te-ei às estrelas
ou a queda abissal,
de um gozo sem fim...

Digo, ainda meu amado poeta,
que esta hora, é muito mais
do que uma hora.
É muito, muito mais
do que um só dia,
é muito mais, é bem mais,
que a eternidade, e,
escreveremos muitos poemas,
eu sobre teu corpo e,
tu sobre o meu,
com tinta de beijos!
a

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ah! Meu querido amor de além mar...

Ah! Meu querido amor de além mar,
como eu queria acender teu fogo,
com minhas mãos,
com meus beijos,
percorrendo os caminhos
que mapeei - metodicamente,
no teu corpo!

Afinal, só eu os conheço,
fui eu quem os encontrou
vagarosamente, lembra?
Aqueles pontos,
onde teu peito e tua alma,
estremecem entre meus braços...

E então, me deteria naqueles,
nos quais teus apelos,
não teriam sentido,
pois não saberias,
se pedirias para eu parar
ou continuar...

Quero deixar-te sem razão e,
sem saber se a sensação,
te eleva ao céu,
ou te faz descer ao inferno,
de onde queres fugir,
ou gostaria de ficar,
eternamente!

Ah! Meu querido amor de além mar,
quero tornar-te prisioneiro,
de meu desejo,
quero torturar-te...
deixa minha boca ardente de paixão,
te mordiscar por inteiro,
com meus lábios
percorrendo os recônditos
de seu corpo (que eu mapeei, lembra?),
que nem mesmo tu,
meu louco amor de além mar,
sabia que te dariam tanto prazer!

Ah! Meu querido amor de além mar,
eu sou a própria tentação,
travestida num jeito moleque,
que a todos encanta,
mas a ti não me basta encantar,
quero te enfeitiçar,
quero participar de todos
teus momentos,
estarei presente na tua mente,
no teu corpo, nos teus sonhos,
na tua alma,
que já é tão minha!
a

domingo, 7 de setembro de 2008

Porquê?

Porque olhar o céu e
ver tudo tão sereno?
Porque ver-te comigo
quando sonho,
e ser tão real?
Te materializo em meus sonhos!
Porque esta sentida ânsia
de te saber distante e proibido?
E agora, meu amor,
quem te consola,
quando estás só e a saudade?
Porque agora querer-te tanto,
se já te amei?
Porquê? Porquê?
Acho que esquecia
que já és um pedaço de mim,
e eu até quis,
que em minha alma
a razão te anulasse,
e eu já não pudesse te sentir meu
no tempo e no espaço.
a

Vida!

Vida se um dia me abandonares
em qualquer parte,
nunca terei nada a reprovar-te.
Me destes todos os desencantos,
e também os melhores sonhos.
E em mais de um amanhecer
me surpreendestes,
com o homem amado entre meus braços.

Me destes a inocência necessária,
para escrever poesias a mil coisas.
E ainda que,
nunca te dedique nenhuma,
serás a inspiração dos versos meus.

Me ensinastes a amar
e amei e fui amada,
e suportei todos os golpes
que me destes a cada tanto.

Me entregastes o sol,
as noites,
me destes prazeres e fastio,
para fazer-me sentir que estava viva!
E, me ensinastes que sempre,
nunca é tarde!
E sempre,
tivestes algo a ensinar-me.

Por isso vida,
se um dia me abandonares,
nunca terei nada a reprovar-te.
Estamos em paz!
Siga!
a

É só isso que eu queria!

Eu queria estar contigo
nessas horas de céu limpo,
sol brilhante e brisa leve.
Eu queria estar contigo
num recanto muito verde e
ter o brilho dos teus olhos.
Eu queria estar contigo
nesses dias nevoentos,
de garoa, cor de cinza.
Eu queria estar contigo
numa casa pequenina,
com jardim, com muitas rosas.
Eu queria estar contigo
quando o vento rodopia e
vem de encontro aos meus cabelos.
Eu queria estar contigo
pra abrigar-me nos teus braços,
com o calor do teu carinho.
Eu queria estar contigo
nos momentos de incerteza,
pra apoiar-me em tua mão.
Eu queria estar contigo
nessas horas de saudade,
chuva mansa e solidão.
Eu queria estar contigo
cada dia, toda hora.
É só isso o que eu queria...
a

Noite!

Seguem-se rumos perdidos. Um som morto parece percorrer as ruas e faz renascer uma ansiedade incontida. Vozes pairam pelos cantos, vozes taciturnas, desencontradas, indecifráveis... meu ser vacila em combate com o vento e...algo mais.
Passos pesados, marcas no chão...talvez estejam à procura de um novo caminho. Cantos indefinidos, palavras sem nexo. Olhos parados na noite dura e cruel. Soam no ar, entre a dor e alegria, pedaços, míseras migalhas do que foi amor, do que foi ódio; restos que o dia deixou, restos que partem com o vento para um lugar inacessível, imcompreensível. "Minha alma", à procura do descanso, percorre lugares vazios, onde a matéria não está presente, nada se enxerga - tudo se percebe - anjos ou duendes que fazem sorrir ou chorar.
Volta-se à terra então e, o que existe são corpos tranquilos aparentemente...mas só corpos - a alma distante. Sou algo mais no meio deles, uma partícula do cosmos, um par de olhos que vê, um cérebro que exprime e uma mão que escreve...quando o dia chegar. Mas a noite ainda não acabou. E em nossas mentes o medo é presente. Nossa alma ainda percorre rumos inalcansáveis. Vozes indefinidas continuam a pairar pela terra. Nossos olhos permanecem fechados, o corpo estático não consegue movimentar-se. Quando a noite acabar, as marcas deixadas por ela sairão nas páginas dos jornais e, então, com a força do sol, eu terei o uso da palavra. Por enquanto, somente o espelho da noite reflete-se através de nossas angústias, medos e pesadelos. A noite que mora dentro de nós, se expressa somente quando é noite lá fora, pois é neste momento que as verdades inconscientes mostram-se e saem de nós, tornando-se mais um passante da escuridão. Gritos abafados retumbam no ar...amanhã só restará o reflexo deles, um reflexo apagado pelos fortes raios de sol.
a

Asas ao vento.

Asas ao vento, coração,
e olhos no céu.
Há um infinito azul,
à espera do teu vôo.
Há uma terra imensa,
às ordens do teu gesto.
Há um mar inquieto,
ao alcance de tua mão.

Asas ao vento, coração,
e pés no chão.
Há um mundo de justiça
e paz a construir.
Há um universo em crise,
reclamando ação.

E tu, que crês, que amas,
e, por isso, sabes das coisas,
que fazes aí, parado e quieto,
passivo e mudo a olhar o caos?!

Não te detenha a dúvida,
não te acovarde o medo,
não te contenha a segurança.
A vida te foi dada para viver.

Asas ao vento, coração,
e mãos à obra!
a

Quando não estás aqui!

Quando não estás aqui, meu amor,
não sei de que maneira
vou senti-lo ao meu lado!
Não sei de que modo,
poderia reter o calor e a forma,
de teu infinito corpo;
teu olhar embevecido,
e a tranparência feroz de teus sorrisos.

Não sei, nem o pressinto,
como e de que maneira
preencher os meus momentos,
talvez contemplando tua foto em silêncio,
quem sabe conversando com a noite
sobre o que recordo.

Quando não estás aqui, amor,
quisera, de certo modo,
não sei como;
eu também desejaria não estar.
a

Louco desejo!

Como eu queria encurtar esta distância,
que separa o teu corpo de meu corpo;
e poder aplacar em ti minhas ânsias,
e encontrar tua boca com meus beijos.

Tenho desejo de tê-lo tão pertinho,
que não consiga olhar-te sem soltá-lo.
Um desejo louco,
de encontrar-te aqui, em minha cama,
e amar-te amor, amar-te loucamente.

Tenho ganas de agarrar-me a tua cintura e,
de juntos, nós fazermos mil loucuras,
de poder te acariciar morosamente,
sentindo teu desejo sublimar...

Tenho ganas de entregar-te
minha impaciência, minha ternura,
meu calor, meu despertar e meu amor...

Tenho ganas de encurtar esta distância e,
ao tê-lo em meus braços,
jamais permitir que tu te vás!
a

Todo o meu amor!

Todo o meu amor aqui,
a ti consagro,
tome-o, queime-o, derrame-o,
malgaste-o se quiseres.
São teus,
seu crepúsculo e seu ocaso,
sofra-o, padeça-o,
que assim deve ser,
forge-o para ti,
de acordo com tua medida
e semelhança:
terno e agressivo,
doce e caprichoso;
por momentos zeloso,
humilde e altivo.

Todo meu amor aqui,
a ti entrego,
cuide-o,
para que não esvaia-se de tuas mãos,
senão quebrará suas asas em seu vôo e cairá;
e já não terá ânsias de voar,
se acabarão os sonhos,
e terás que despertar.

Cuidado, te rogo, são teus:
seu grito e seu gemido,
seu canto e seu arrulho,
e a partir deste momento estão,
sobre o mais amplo cuidado teu!
a

Meu presente e meu futuro.

Que será do meu céu sem tua estrela?
Que será do meu caminho sem tua guia?
Que será de cada novo dia, quando
eu busque e não encontre tua presença?

Pelas noites sentirei a tua ausência,
presa a cada lado de minha cama,
e não serão iguais minhas manhãs,
ao faltar-me,
o teu perfume e transparência.

Terei que acostumar a não me ver,
no brilho dos teus olhos que enaltecem,
e sentirei a saudade que reaparece,
quando tua lembrança,
volta a aprisionar-me!

Terei que recorrer a velhos truques,
para apagar tua imagem de minha mente,
mas, tudo será inútil, simplesmente,
porque és meu caminho, e minha meta,
e, ainda que busque te esquecer,
ainda que procure,
és tu a um só tempo
meu presente e meu futuro!
a

És a minha paz!

Queria tocar aquela estrela
e guardar a serenata dos grilos,
no silêncio eloqüente desta noite.

A lua nem sequer acordou,
e a brisa murmura canções de amor,
no ouvido daquela árvore quieta.

A vida segreda esperanças,
no perfume das rosas sonolentas,
que acolhem o sereno de prata.

E, nesta infinita quietude,
eu penso em ti.
E sorrio confiante.
Tu és a minha paz!
a

Sonhar!

No primeiro olhar,
eu gravei seu rosto.
Do primeiro beijo,
eu ainda sinto o gosto.

Depois nos dançamos,
sem nada falar,
e o teu corpo macio,
e tão bom de afagar.

Depois nos amamos,
e o meu corpo no seu
encontrou sintonia,
carinho e amor,
que tanto buscou.

E agora? Estou só,
mas posso sonhar,
com o beijo primeiro
e o teu corpo macio,
e tão bom de afagar!
a

Buquê de estrelas!

O céu da noite é um negro veludo
bordado de prata,
e a cada ponto,
reflete no seu brilho mudo,
a forma abstrata das pessoas.

Mas no silêncio destas simbioses
pode faltar vida,
e a estrela,
torna-se em eco sem vozes,
uma estrela perdida, e então cai.

E quando cai se parte em mil pedaços,
o brilho continua e
a sombra é engolida pelos estilhaços,
na solidão do caminho onde vou.

E formo, com os astros que recolho,
teu nome, tua face e assim,
da "profunda escuridão" do teu olho ,
um brilho nasce e se perpetua.

Com um buquê de estrelas na mão,
melhoro a paisagem,
ao inventar,
a mais nova constelação,
em tua homenagem, meu amor!
a

Brinde

Nunca,
nem antes,
nem agora,
nem depois.

Nunca alguém,
te amou assim,
com tanta ternura,
com tanta serenidade,
com tanta loucura
e tanto.

Não posso amar-te mais,
nem menos.
É esta a medida!
Nem me sabia capaz,
de amar desse jeito,
desse tamanho.

Nem pensava,
que pudesse existir
igual amor,
a este que te dou...
Brindemos a ele:
já é infinito.
Que seja, pois,
imortal....
a

Deixa-me afogar-te em paixão.

Eu te quero tanto,
como tanto quero,
falar com tua alma
desde meu silêncio.
Com ondas de beijos
percorrer teu corpo,
de teu ventre a boca,
me detendo em teus delírios.

Eu quisera tanto
não sentir-te longe,
como quero,
acender meu fogo
na excelsa chama,
que teu corpo me oferece.

Eu quisera tanto, amor meu,
levar-te ao submundo de
minha fantasia,
ali, onde tudo,
se converte em poesia,
amor meu!
Eu quisera tanto tecer ilusões,
te banhar de beijos,
te afogar na paixão e,
brindar-te com um pouco
de minha fantasia,
amor meu.
a

Sou eu...

Atrás de mim,
apenas duas pegadas
nos meus rastros!
Marcas dos meus pés!
Se o vento, a chuva e o mar
desfizerem os sinais,
não importa.
Ninguém,
precisa seguir-me.
O meu caminho
eu devo percorrer,
a minha vida
eu preciso viver.
E os rastros que ficarem,
são meus.
A minha história,
só eu posso escrever.
A minha dor,
sou eu quem sofre.
A minha alegria,
faz vibrar o meu coração.
E o meu pranto,
eu mesma hei de chorar.
É longa a estrada,
beirada de flores
e de espinhos.
Trechos largos,
pedaços estreitos
e tortuosos,
descidas fáceis,
subidas íngremes.
Povoadas de pássaros
e de serpentes.
Com fontes cristalinas
e pântanos enganosos,
mas, é a minha estrada.
Se, pelo caminho,
tropeçar, cair, morrer...
Concedam-me,
o direito de ousar.
Deixem-me em paz,
por favor,
porque eu
sou eu...
a

A minha melhor poesia?

Minha melhor poesia,
ainda não foi escrita.
Mas, se neste momento,
tiver que fazer a escolha,
fico com aquela,
que escrevi noite passada,
sobre o papel de tua pele,
com a tinta de meus beijos e,
sob o som de teus gemidos!
Sem erros de ortografia,
pois os corrigiu seu corpo!
Será que não houve
palavras e,
por isso foi perfeita?
a

Gosto de amar você na chuva!

Os sons da madrugada,
começam a invadir
o que resta da noite.
Olho a cama imensa
e o vazio da sua ausência,
invade minha alma,
como um vento frio
invade a casa por
alguma janela que
ficou entreaberta,
por descuido e,
me questiono porque
não fechei as
janelas da alma,
antes de deitar?

Fecho os olhos,
tento sentir a
calidez de teus lábios,
impossível:
te aliastes à distância!

Me detenho então,
a olhar a chuva,
como se cada gota
fosse diferente e,
deixo a vidraça embaçar,
só para escrever teu nome:
se você estivesse aqui,
tudo seria diferente,
gosto de amar você,
na chuva!

Publicado na Antologia 2008 - In Versus Veritas II, da Casa do Poeta de São Pedro do Sul - Ed. Evangraf.a